Não precisamos ficar ansiosos com a ansiedade



A ansiedade é uma parte valiosa de nós, mesmo quando lutamos contra ela.


Nestes tempos difíceis, a ansiedade parece ter deixado de ser uma exceção para se tornar uma regra. Para enfrentar, nós a suprimimos. Mantemos a calma e continuamos. No entanto, mesmo antes da pandemia, a ansiedade era uma crise - estima-se que um terço de nós sofrerá de níveis debilitantes de ansiedade em algum momento de nossa vida. Claramente, centenas de excelentes livros de autoajuda, milhares de estudos científicos rigorosos e 30 medicamentos ansiolíticos diferentes não estão ajudando o suficiente.

Por que não?


Um dos motivos pode ser que uma história comum de ansiedade - a história da doença - faz mais mal do que bem. Essa história nos diz que devemos tratar a ansiedade como uma doença fatal a ser prevenida, evitada e eliminada a todo custo. Infelizmente, quanto mais evitamos e suprimimos a ansiedade, mais ela cresce. Simplesmente diga a alguém para parar de se preocupar, e a preocupação com certeza aumentará. Além disso, embora a supressão coloque a ansiedade em espera por um curto período, perdemos oportunidades de enfrentar nossos medos e aprender a enfrentá-los.


Como você completaria esta frase?


Quando percebo que estou me sentindo ansioso - pensamentos de preocupação, coração acelerado, respiração acelerada ou frio na barriga - meu próximo pensamento é:


a) ... Devo reprimir esses sentimentos e manter a calma, porque são um sinal de alerta de que posso perder o controle.

b) ... minha mente e meu corpo estão se preparando para lidar com um desafio.


A maioria de nós, responde a opção "a", mas a verdade é na maioria das vezes a opção "b". A resposta que escolhemos pode ter um impacto poderoso. Por exemplo, em um estudo de 2013, pesquisadores de Harvard recrutaram participantes socialmente ansiosos para completar um teste de estresse de ansiedade envolvendo um discurso público e problemas matemáticos difíceis. Os pesquisadores disseram à metade dos participantes para imaginar que seu coração acelerado e borboletas no estômago eram benéficos, tendo “evoluído para ajudar nossos ancestrais a sobreviver, fornecendo oxigênio para onde é necessário no corpo”. Quando eles passaram a fazer o teste de estresse, aqueles que receberam essa reformulação, em comparação com o grupo que não recebeu, sentiram-se menos ansiosos e mostraram menos sinais de estresse no nível biológico - menos constrição dos vasos sanguíneos e mais eficiência da frequência cardíaca. O simples fato de contar uma história diferente sobre o significado e o propósito de seus “nervos” fazia com que se sentissem menos ansiosos com relação à ansiedade e até mudava o funcionamento de seu corpo.


A ansiedade, em vez de ser um inimigo, pode ser um aliado.


Vendo a ansiedade como um aliado


A ansiedade é desagradável por definição, porque é um sinal que deve chamar nossa atenção. Como uma luz piscando para indicar uma bateria carregada, a ansiedade mostra que nossa mente e nosso corpo estão preparados para lidar com uma ameaça. Quando suprimimos a ansiedade, é mais difícil detectar esse sinal e mais difícil ver que a ansiedade pode ser incrivelmente útil porque aciona nosso pensamento futuro, onde antecipamos que o perigo é possível.


Na verdade, a ansiedade não existiria sem uma das grandes conquistas da evolução humana - nossa capacidade de imaginar e habitar mentalmente o futuro incerto e desconhecido. Quando a ansiedade nos impele para o tempo futuro, geralmente somos mais inteligentes, mais focados e mais orientados para um objetivo, de modo que podemos entrar em ação se necessário. Em outras palavras, ficamos ansiosos quando nos preocupamos com o futuro. Quando olhamos dessa maneira, percebemos que a ansiedade vive de mãos dadas com nossa capacidade de esperança.


Se mudarmos nossa mentalidade sobre a ansiedade - de inimigo para aliado - e reduzirmos nossa ansiedade em relação à ansiedade, descobriremos que podemos aprender a ficar ansiosos da maneira certa, especialmente durante esses tempos de incerteza e tensão.


Como começar a dominar a ansiedade


Assim como acontece com o domínio de qualquer habilidade, a melhor maneira de mudar nossa mentalidade sobre a ansiedade é praticá-la. O primeiro passo é ouvir o que a ansiedade está nos dizendo. Esse curto-circuito não apenas provoca um poderoso motor de ansiedade - a evitação - mas também fornece informações importantes das quais podemos não estar conscientes, nos informando que algo não está certo. Quando avançamos e investigamos esses sentimentos de ansiedade, também somos mais capazes de descobrir as causas e lidar com elas. Capturar a ansiedade cedo, antes que ela "espiralize", é bom, mas ouvir a ansiedade pode ajudar a qualquer momento, mesmo quando já estamos lutando ou temos um transtorno de ansiedade.


Existem muitas maneiras de entrar em sintonia com nossa ansiedade, dependendo de nossos hábitos e preferências. Podemos conversar sobre coisas com um amigo ou ente querido, meditar, fazer uma caminhada tranquila, deixar nossos pensamentos vagarem enquanto relaxamos no banho ou manter um diário. Agendar o momento para sintonizar é a chave para criar o espaço para que isso aconteça. Encontrar tempo também nos permite aprofundar as conexões - conosco, com os outros e com as coisas com as quais nos importamos.


É importante lembrar que muitos de nós evitamos a ansiedade escapando para as telas do celular, computador ou tv - talvez mais do que nunca durante a pandemia. Claro, alguma pausa se faz muito necessária. Mas, se fizermos muito isso, podemos estar em um modo de fuga inútil. Considere isso como um sinal de que a ansiedade está fervendo sob a superfície e dê uma olhada antes que ela transborde.


Na próxima vez que você estiver prestes a embarcar em um desafio - seja um discurso em público, uma resposta sobre um exame de sangue ou uma entrevista ou conversa difícil - pare um momento e considere: Se meu coração disparar, se eu me sentir nervoso, isso significa que meu corpo e minha mente estão se preparando para agir. Em uma situação difícil, a ansiedade me torna mais forte. Vou apenas respirar fundo e saber que estou pronto. Ao desafiar nossas suposições, podemos recuperar a ansiedade pelo que sempre foi - um presente em vez de uma maldição.


Fonte: https://www.psychologytoday.com/intl/blog/more-feeling/202102/we-dont-have-be-anxious-about-anxiety (adaptado)

Esta postagem não substitui a psicoterapia.

Procure um profissional da área para ajudá-lo.


Ivana Siqueira

Psicóloga Clínica

CRP 05|40028


Rio de Janeiro - RJ

Atendimento presencial e online

contato@ivanapsicologia.com

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